Todo homem sempre tem por anos, como referência, a figura de seu pai como o ideal masculino a ser seguido. Até criarmos nosso discernimento sobre o que é certo ou errado e moldarmos nossos atos à nossa personalidade, a presença do pai é primordial para que não percamos o senso das coisas.
Mas, com a chegada da adolescência, mesmo que todo o carinho e respeito nutrido por ele, uma hora nos questionamos sobre as "lições" exageradamente repetidas por horas, dias e semanas a cada "pisada" de bola nossa! Manja quando você tem vontade de mandar o seu pai pra puta que o pariu? Então...
Com o passar dos anos, vamos filtrando tudo e vendo apenas que aquilo é apenas preocupação e excesso de zelo. A frieza das palavras e a secura no olhar, por vezes, apenas escondem uma fragilidade imensa perante o amor que o pai sente por seu filho. Imagine quantas vezes aquele ser raivoso e austero não chorou no chuveiro por ter sido ríspido contigo... ou quantas vezes ele queria apenas te abraçar ao invés de vomitar conselhos em forma de sermão!
Demorei anos pra compreender, de fato, o que aquele ser bigodudo pretendia quando me repreendia por atos, aparentemente, inocentes. Me julguei acima dele e achava que era apenas picuinha de pai sem noção. Me arrependo profundamente das inúmeras vezes em que desejei que ele sumisse ou simplesmente me deixasse em paz! Cometer tais injustiças com alguém que daria a vida por você é algo que faz rolar lágrimas em mim enquanto escrevo.
Felizmente, meu pai ainda está vivo. E tentarei, no meu máximo, me redimir de tais injustiças do passado. Não que eu precise, mas porque sou obrigado por mim mesmo a isso. Teoricamente, eu não precisaria mesmo, afinal, para um pai, a felicidade e o sucesso do filho acaba sendo seu maior troféu. É clichê, mas é a realidade...
Meu pai tem um bar há 18 anos e o ajudo desde que me conheço por ser humano... formei meu caráter atrás do balcão do bar e ali pude entender tudo o que ele sempre quis me passar. Ao me permitir conhecer pessoas de diversas categorias unidas num mesmo ambiente, co-habitando pacificamente, meu pai estava, de fato, me ensinando a como ser e agir para a vida! Esse é seu maior legado a mim: a tolerância com as diferenças, sobressair-se com orgulho e não abaixar a cabeça para quem quer que seja!
Mesmo com todo aquele fervor adolescente e ignorância juvenil, eu sempre tive um respeito enorme pelo meu velho! E ele por mim... era algo recíproco, sem a necessidade de palavras. Estava no ar, sabe? Sempre sabíamos que estava ali... como ainda está! Nunca consegui, por exemplo, chama-lo por "senhor" como outros amigos faziam. Eu achava que "senhor" era muito pouco pra definir alguém como ele. Meu pai sempre foi merecedor do "você", com todo o respeito que isso trazia!
Por isso, Sérgio Antonio Voigt, vulgo Serginho, eu te amo pra caralho! Simplesmente por ter sido você esses anos todos! Sei que perdeu seu pai cedo, quando ainda começava sua adolescência e que por isso tem se esforçado ao máximo para ser o pai que você é. Pois saiba que tem feito um excelente trabalho... seu pai teria orgulho ao ver o pai em que você se tornou!
Você não sabe a honra que tenho quando me dizem que sou sua "cópia"... eu não poderia desejar elogio melhor! Afinal, juntos somos foda pra caralho, não?
Espero ser um pai à altura do que você foi e é!
Não sei quanto a você que lê esse texto, mas eu tenho o melhor pai que eu poderia ter escolhido para mim!





