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Top 11: os discos que ouvi pra caralho – parte III

Posted: | Por Felipe Voigt | Marcadores: 1 comentários
(Pronto, acabei a lista. Deixei as mulheres pro final pra encerrar com um cheiro mais gostoso no ar, sabe? E coincidentemente os três álbuns são ao vivo... sabe como é: mulher sempre é melhor ao vivo! Mas pra não deixar as outras duas partes com ciúmes, vou repetir o mesmo texto introdutório... ui!)


Todo mundo tem sua lista de grandes discos que marcaram sua vida, com as músicas que mais te falavam aquilo que você precisava ouvir na época, que te fazem lembrar momentos bons, ruins, ótimos e péssimos. Uma viagem, um beijo, uma paixão, uma desilusão, um sentimento, uma era. Pense nos seus e veja se não é possível sentir tudo de novo apenas ao ouvir a introdução de uma música?

Pois bem: resolvi fazer a minha. Mas como todos fazem “As 10 Mais”, “Os 5 Melhores”, sempre usando números batidos, resolvi lançar o meu Top 11. Por que onze? Porque eu quis, oras... o blog é meu!

Vou dividir em três partes e os discos não estão em ordem nenhuma. Apenas coloquei conforme fui me lembrando deles e da época em que os ouvia pra caralho. Alguns não são os melhores do artista em questão, mas são os que mais me marcaram de alguma forma. São aqueles que ainda tenho o CD, guardo com carinho, tiro o encarte pra folhear...


:: The Corrs - Unplugged
Ah, The Corrs... como não ficar apaixonado pela Andrea, gente? Uma das coisinhas mais gostosas que já vi na vida. Sensual, meiga, canta como um anjo, morena, linda... Já me declarei em outro texto, não vou ser redundante (apesar de ela merecer).

Enfim, esse álbum em questão traz basicamente o que a banda tem de melhor. Músicas deliciosas de ouvir, um trabalho vocal impecável das três irmãs - e instrumental também. É como se você estivesse envolto por anjos que sabem o que você está sentindo, conhecem suas dores, seus desejos, suas frustrações. Fazer analogia com anjos foi brega, eu sei, mas é realmente algo muito do caralho essa banda e esse disco. (E a Andrea merece isso também)

Você escuta as faixas e se identifica com todas. É realmente impressionante o poder desse trabalho: te faz refletir, as melodias te deixam suscetível, as letras te escancaram, as vozes te confortam...

Abre com a clássica Only When I Sleep, passando pelas deliciosas What Can I Do?, Radio, Runaway (quem nunca quis fugir com alguém não vai entender a beleza dessa música), So Young e At Your Side (as cinco são verdadeiras declarações poéticas sobre o que é, de fato, uma paixão, um sentimento, uma saudade, uma vontade), chegando na fodástica versão para Everybody Hurts, do REM. Superou a versão original e desbancou todas as outras que fizeram.

Não tem como ficar imune ou indiferente a esse álbum. Se estiver vivendo um amor inventado, ouça; se está sem ninguém, ouça também; se está no meio de uma paixão e sem esse alguém, ouça ainda mais.


:: Melissa Etheridge – Live and Alone
O que esperar de um show onde a Melissa segura sozinha, por duas horas, a apresentação usando apenas sua voz e um violão? Enfadonho? Cansativo? Não: uma das melhores apresentações ao vivo que já vi na vida. Não cansa, não enjoa, faz quem assiste querer mais, se embebedar nessa voz e ouvir novamente na ressaca.

Sou bem suspeito ao falar da cantora e da pessoa, já que pago pau descaradamente pras duas. É foda, canta pra caralho, tem postura, engajamento, coragem, coração... Tudo o que imaginar de bom e louvável tem ali, viu? Sem falar que aquela voz rouca te deixa arrepiado de tesão e de emoção... E você olha pra Melissa e pensa: “porra, eu me sentaria num bar com ela e beberia tudo até o dia amanhecer”.

Além dos clássicos como Come to My Window (que abre o show e já ganha seu coração), No Souvenirs, You Can Sleep While I Drive (de novo: quem nunca quis fugir com alguém não vai entender a beleza dessa música), Bring Me Some Water e Like the Way I Do, as outras faixas “menos conhecidas” vão te mostrar toda a potência da voz dessa mulher.

Em Occasionally, apenas canta e “batuca” no violão e é genialmente simples e bonito. Em Chrome Plated Heart, usa o chão do palco como instrumento de percussão acompanhando a guitarra e você solta um “puta que me pariu, Melissa... VTNC!”.

Em All American Girl e Royal Station 4/16, brinca com o violão, com a platéia, com a música, com o mundo. Um absurdo o que ela faz sozinha... sem brincadeira: você olha e fica sem reação. A mulher está dominada e dominando. É apaixonada e apaixona. É deslumbrante e deslumbra.

Mas é em “The Weakness in Me” que me desmontou de um jeito difícil de acontecer. Sentada ao piano, toca uma das mais lindas, viscerais e sinceras melodias que já tive o prazer de conhecer e admirar e me apaixonar. O dilema e o impasse impressos na letra são de uma beleza cruel demais. Você se rasga de chorar ouvindo essa porra...

Melissa não é apenas uma cantora, não é apenas uma música ou uma artista: é uma divindade.


:: Maria Rita – Samba Meu (ao vivo)
Como coloquei Velhas Virgens como o representante nacional na ala masculina, nada mais justo do que colocar a dona das melhores pernas do cenário brasileiro – que me perdoem os fãs da Ivete (se não perdoarem, foda-se, também).

E acaba sendo a grande antítese da lista: um álbum de samba. Gosto do ritmo, até ouço de boa, mas até então nunca tive acesso pra valer a um disco todo de samba. Ouvia uma ou outra música “emprestada”, mas nunca me animei em ter um álbum só assim. Aí vem a delicinha da Maria Rita e lança esse ao vivo, num show igualmente delicioso. Até poderia fazer uma comparação nada injusta: Maria tem a forte performance no palco como a Melissa e a voz tão deliciosa quanto a Andrea. É forte e suave, meiga e sensual, você quer morder e quer aninhar. É um paradoxo essa mulher.

E tal paradoxo\antítese está estampado em todo o disco (não é só feito de samba): em Samba Meu / O Homem Falou, começa doce, querendo colo e depois explode, dando um tapa na cara. Em Tá Perdoado, chama de volta, dando carinho. E assim segue... Como não se encantar? Ainda mais com as pernas torneadas de Maria do Socorro. (Socorro, hein, Maria?!)

A ressaca vai e volta em Novo Amor e Trajetória; você canta ao vento, rasgando a garganta em O Que é o Amor; descansa o Corpitcho quando chega no Caminho das Águas... Mas o que mais me soa familiar é Cara Valente. Desnecessário dizer o porquê: não sou de nada, só tenho cara amarrada, vivendo num mundo de mágoas que aprenderam a nadar e a beber (não dá mais pra afogá-las em bebidas).

É um álbum gostoso de uma cantora gostosa com uma voz gostosa. Valem a pena, pois.

THE END…? NÃO! TO BE CONTINUED DE NOVO, NOVAMENTE, AGAIN!
LOGO TEM OUTROS TOP11... QUANDO ME DER VONTADE.
Keep Reading...

Top 11: os discos que ouvi pra caralho – parte II

Posted: | Por Felipe Voigt | Marcadores: 4 comentários
(Vou repetir o mesmo texto de abertura do outro... foda-se!)


Todo mundo tem sua lista de grandes discos que marcaram sua vida, com as músicas que mais te falavam aquilo que você precisava ouvir na época, que te fazem lembrar momentos bons, ruins, ótimos e péssimos. Uma viagem, um beijo, uma paixão, uma desilusão, um sentimento, uma era. Pense nos seus e veja se não é possível sentir tudo de novo apenas ao ouvir a introdução de uma música?

Pois bem: resolvi fazer a minha. Mas como todos fazem “As 10 Mais”, “Os 5 Melhores”, sempre usando números batidos, resolvi lançar o meu Top 11. Por que onze? Porque eu quis, oras... o blog é meu!

Vou dividir em três partes e os discos não estão em ordem nenhuma. Apenas coloquei conforme fui me lembrando deles e da época em que os ouvia pra caralho. Alguns não são os melhores do artista em questão, mas são os que mais me marcaram de alguma forma. São aqueles que ainda tenho o CD, guardo com carinho, tiro o encarte pra folhear...



:: The Who - Who's Next
Demorei muito tempo pra entender e gostar de The Who. Quando moleque, me soava um rock adulto demais, mesmo porque tive acesso a eles muito cedo. Tenho um tio que é minha referência musical, me educou para isso desde criança... e ele sempre foi fanático por esses caras e eu não entendia o motivo.

Precisei crescer, sofrer, tomar porrada da vida e aprender a beber pra compreender a grandiosidade dessa banda. Hoje é minha bíblia musical e poética. Quando quero escrever um poema, vou ler suas letras, ouvir suas músicas... é o que abre minha inspiração, me fazem filosofar sobre a vida, sobre sentimentos, sobre pessoas.

Esse álbum em questão é, pra mim, o melhor deles. Fiquei bem tentado em colocar aqui o Endless Wire, o primeiro de inéditas em 24 anos, lançado em 2006 e que ouvi pra caralho e é foda... mas o Who’s Next tem Baba O’riley, Won’t Get Fooled Again, Love Ain’t For Keeping, Naked Eye, I Don’t Even Know Myself (a letra é foda pra caralho), My Wife… clássicos que já nasceram clássicos e permanecem assim. Isso é música pra você sentir no corpo, na cabeça, no coração, na alma, na língua! Precisa sentir o gosto do rock em cada riff do Townshend, em cada grito do Daltrey, em cada batida do Moon!

Mas o que faz esse álbum simplesmente foda é Behind Blue Eyes. Sabe quando você tem uma letra que parece ter sido escrita por você, sem tirar nenhuma vírgula? Por muito tempo essa música era o que me aliviava a tensão de ser como sou, da incompreensão, da dor... E me motivou a compreender o que outros blue eyes escondiam behind. Ainda choro ouvindo, fazer o que?! (E nem a versão tosca do Limp Bizkit conseguiu estragá-la... só uma coisa muito foda sobreviveria a isso)

Um disco que já tem 40 anos... e não vi ainda nenhum outro como ele.


:: Neil Young – Silver & Gold
Neil Young é daqueles caras que me acompanham desde que me conheço como roqueiro. Escutava ainda moleque o Live Rust (e sua capa memorável) com meu tio - aquele mesmo de sempre - e ficava maluco com a guitarra desse grandão meio desengonçado ao tocar sua guitarra. Solos intermináveis, altos pra caralho, estridentes... E aí eu me surpreendia quando esse mesmo cara pegava uma gaita, um violão, sentava e tocava. Era sua própria antítese!

Em 2001, fomos meu tio e eu, ao show do velho no Rock in Rio. Ganhei dele como presente de aniversário, já que aniversario no dia 19 de janeiro e o show era no dia 20. E como já sabíamos meses antes do show, passei muitas semanas ouvindo sem parar o Silver & Gold, de 2000. Tanto é que, por causa desse álbum, esperávamos um show banquinho-gaita-violão. Mas não: o velho veio com a Crazy Horse e botou pra fuder. Até se cortou tocando, deu o sangue pelo rock and roll... desde sempre!

Trata-se de um disco gostoso de ouvir no carro, dirigindo por uma estrada qualquer, vendo o sol se pôr ao seu lado, à sua frente. Ouvir de madrugada pra acompanhar uma leitura, pra relaxar durante uma conversa - acompanhada de cerveja, claro! A faixa-título é simplesmente uma das melhores declarações de amor que já ouvi. Simples, ingênua, inocente... e real!

Você fica maravilhado ouvindo Red Sun, Good To See You, Distant Camera... Mas o destaque mesmo vai para Buffalo Springfield Again: ouvir o velho Neil cantando sobre sua antiga banda, a forma como coloca os áureos tempos, colocando o mea-culpa e o saudosismo à prova, dizendo querer ver aqueles caras novamente... É emocionante.

Ainda o ouço com o mesmo valor que dei a ele quando tinha 18 anos e aguardava meu aniversário de 19, que me traria o dia de vê-lo ao vivo. Não basta ser um puta álbum: é um puta álbum que me marcou de uma forma muito positiva. Quando estava quase descrente, mais uma vez, o velho me mostra que é possível falar de amor, de coisa boa, de sentimentos bons... sem ser pedante ou apelativo. É isso: um álbum lindo e igualmente simples. Coisas que só um gênio como Neil Young poderia produzir. Minha vida seria diferente sem esse álbum.


:: Bruce Springsteen – The Rising
E quando você toma outra porrada da vida, cansado, exausto novamente e se vê quase desistindo de acreditar, o que acontece? A vida te traz um The Rising pra te salvar de novo. Lançado em 2002, só fui conhecê-lo em 2005. E caiu no meu colo na época em que eu iria entender essa obra... talvez se a conhecesse no lançamento não daria o mesmo valor. Eu estava em outra pegada naqueles dias. Chegou quando precisava chegar.

Esse álbum meio que inaugurou uma série de trabalhos intimistas de Springsteen. E começou muito bem: trata-se de um disco muito bem elaborado, com a volta da E Street Band depois de 18 anos - Steven Van Zandt fazia falta... e como fazia! Isso fez com que o clima ficasse propício a uma obra assim: com letras reflexivas, exaltando a superação, aceitando dores, buscando passar por cima de algumas e convivendo com outras. É assim em Empty Sky, em Lonesome Day, em Into The Fire e em Nothing Man, por exemplo.

Como ainda havia o peso dos ataques de 11 de Setembro sob os pilares do país, ainda mais nas bases culturais e filosóficas, há várias referências aos mortos e aos que ficaram chorando suas perdas. Referências como “escadas de fogo”, “nuvem de vapor”, “esperando por um dia de sol, afastando as nuvens”. É o que se espera do cantor-operário, aquele que faz os fãs imaginarem Bruce como um trabalhador comum, um cara que vende cachorro-quente durante a semana e no final dela sai fazendo uns shows por aí. E é o que ele faz em My City Of Ruins, onde conclama à todos para que se levantem, limpem a poeira de seus corações e sobrevivam.

Ele sofreu o baque junto com todos e transformou em poesia a perda de esposas, maridos, pais, filhas, amigos, colegas, conhecidos... e isso sem soar como um álbum nacionalista, que faça sentido apenas para aquela sociedade. Todo mundo que perdeu um amor se sentirá abraçado pela música de The Rising.

As faixa que mais me arrepia é Countin' On A Miracle. Sensacional, te dá um empurrão sem ser falsa positivista, aquela coisa chata do otimismo desenfreado. Te mostra que o sentimento independe da existência do outro para existir. E faz você olhar pra cima, respirar fundo, suspirar e chorar. São músicas que vão te fazer assumir suas dores e não tentar afastá-las de você. Elas estão aí pra ficar... conviva com elas, supere os efeitos e siga adiante.

Talvez seja o álbum mais emocionante que tive o prazer de ouvir. Nunca vi tanto coração em forma de arte assim... Me ajudou pra caralho e ainda ajuda. Há vida com dor. Apenas precisamos nos educar para elas.


:: Rob Zombie - Hellbilly Deluxe
Comprei por cinco reais num sebo. E comprei por causa da capa, confesso. Não conhecia Rob Zombie o suficiente para comprar qualquer coisa sua apenas por ter seu nome. Já tinha ouvido coisas do White Zombie, sabia que era pesado e era bom, mas trabalho solo do Rob eu nunca tinha visto. E só depois fui entender o motivo: esse foi seu primeiro álbum solo, lançado em 1998. Começou bem.

É um disco violento. O clima de show de terror, as vinhetas na abertura de cada música – com crianças falando, gritos e batidas como a Call Of The Zombie -, os temas horripilantes... tudo isso dá medo! E isso te faz querer virar um zumbi faminto. Sério: você exterioriza todo aquele sentimento quase canibal, com vontade de gritar, de ser mal, de sair vomitando sangue, deixando a respiração ofegante e os olhos cerrados.

Parece exagero e é. Por isso é foda esse disco. Mescla metal pesado com elementos industriais e eletrônicos. Rob conseguiu colocar todo o clima dos filmes de terror da década de 60 – dos quais é fanático e os usa para dar nome às músicas - em moldes atuais com efeitos sonoros antigos, os mesmos usados nas trilhas dos filmes. Não é música para qualquer um: já vi muito roqueiro por aí “enjoar” na terceira faixa.

O clipe de Dragula é até divertido apesar da música ser um petardo alucinante. Demonoid Phenomenon é, pra mim, a melhor. Realmente envolvente, te deixa maluco... é até perigoso ouvi-la dirigindo. Meet the Creeper causa o mesmo efeito. Spookshow Baby poderia muito bem ser usada em uma cena de perseguição de zumbis pela cidade atrás de carne! Sabe aquela cena em que eles saem mordendo qualquer coisa que respire? Então...

Gostoso é ouvi-lo numa noite chuvosa, às três da manhã, com apenas uma vela acesa na sala. Eu já fiz. Duvido que você faça. Pode começar por Living Dead Girl. Mas duvido que consiga ouvir o começo de Return Of The Phantom Stranger sem ficar com o cu na mão.

É um álbum que me deixa com tesão... Devo ser doente.


to be continued... AGAIN! HaHaHaHaHaHaHa
Keep Reading...

Top 11: os discos que ouvi pra caralho – parte I

Posted: | Por Felipe Voigt | Marcadores: 2 comentários
Todo mundo tem sua lista de grandes discos que marcaram sua vida, com as músicas que mais te falavam aquilo que você precisava ouvir na época, que te fazem lembrar momentos bons, ruins, ótimos e péssimos. Uma viagem, um beijo, uma paixão, uma desilusão, um sentimento, uma era. Pense nos seus e veja se não é possível sentir tudo de novo apenas ao ouvir a introdução de uma música?

Pois bem: resolvi fazer a minha. Mas como todos fazem “As 10 Mais”, “Os 5 Melhores”, sempre usando números batidos, resolvi lançar o meu Top 11. Por que onze? Porque eu quis, oras... o blog é meu!

Vou dividir em três partes e os discos não estão em ordem nenhuma. Apenas coloquei conforme fui me lembrando deles e da época em que os ouvia pra caralho. Alguns não são os melhores do artista em questão, mas são os que mais me marcaram de alguma forma. São aqueles que ainda tenho o CD, guardo com carinho, tiro o encarte pra folhear...


 
:: Metallica – Black Album
Simplesmente clássico. Disco de cabeceira de qualquer roqueiro que ainda chama CD de disco. Ou de álbum - hoje a molecada não sabe o que é disco\álbum. Na minha época (isso é expressão de velho), ouvi o K-7 até estourar a fita. Era uma fita pirata, daquelas com a capa xerocada e selinho da BASF colado. As faixas não estavam gravadas inteiramente nesse cassete, duravam no máximo três minutos e ia diminuindo, cortando metade da música.

Decorei todas as batidas do Lars, usava lápis, caneta, antena de TV e canudinhos como baquetas para minha air drum. Este álbum traz, sem dúvida, uma das baterias mais fortes do rock. A potência vocal do Heatfield – e seu “yah” no final de cada frase - e as letras que só hoje compreendo deixam essa obra de arte como algo essencial pelo menos uma vez por mês no meu carro ou nos fones de ouvido. Sei todas as letras, canto e esmago o volante tocando bateria junto...

Apesar de quase duas décadas, é uma música que nunca morre. Você escuta e parece que foi feita ontem. Foi um momento de imensa inspiração dos caras. Não tem como não se arrepiar ao entender Sad But True e My Friend Of Misery ou não se simpatizar e querer ser o vagabundo de Wherever I May Roam. Foda... apenas isso: FODA!


 
:: The Commitments – Trilha sonora do filme
Como todo adolescente, tive minha fase de querer montar uma banda. Agitava um ou outro amigo que soubesse tirar o riff de Smoke On The Water no violão e logo a cabeça viajava, imaginando ensaios e turnês. Nunca cheguei a ter uma, mas sofri como se fosse o fim da minha própria banda ao terminar de ver esse fenomenal filme do Alan Parker. O assisti pela primeira vez com 12 ou 13 anos, já tinha conhecia um pouco sobre soul music, mas o filme me fez querer mais, inclusive saber quem era Wilson Pickett.

Os bastidores, a formação do grupo, a escolha dos integrantes, o ensaio, as disputas paralelas que culminam no fim da banda... é tudo muito crível e muito gostoso de fantasiar. Se você gostou de The Wonders, vai amar The Commitments. Até hoje me pego cantando Try a Little Tenderness e Dark End Of Street como Deco canta no filme, numa inesquecível interpretação de Andrew Strong.

Aliás, por causa dele, nunca mais conseguirei ouvir Mustang Sally, Take Me To The River e In The Midnight Hour do mesmo jeito. Não dá: escuto o refrão e me lembro daquele bêbado cabeludo e estúpido e egocêntrico cantando. Me lembra muito outro bêbado cantor que logo abaixo será citado.

É daqueles filmes que você sabe a sequência toda, as falas, você tem time dentro do filme, sabe? Torce por aquele, detesta aquele outro... Sem contar que foi ele quem me apresentou The Coors: quando fui pesquisar sobre, vi que a vocalista Andrea fez uma participação e fui ver quem era essa banda. Aí deu nisso: paixão! Até escrevi sobre eles (e um pouco mais sobre o filme) nesse outro link.


 
:: KISS – Psycho Circus
Corria o ano de 1998, eu com 16 anos e desde os 9 apaixonado por KISS, a primeira banda que me deu acesso ao que posso chamar de show! Um grupo de caras cantando rock, incorporando deuses mascarados, cuspindo sangue e fogo, posando de fodões... Como isso não encantaria uma criança? E como não continuaria a encantar um adolescente? E foi justamente esse adolescente que acompanhou pra valer, pela primeira vez, o lançamento de um álbum com músicas inéditas da banda. Os que vieram antes eu tinha acesso só depois, não conseguia fazer download das K-7 nos anos 90 - acho que a banda não era larga o suficiente. Nem tinha banda. A banda era outra.

E esse disco foi o primeiro com a formação original em duas décadas. Porra, como não ficar de pau duro com isso? Tudo bem que qualquer coisa me deixava assim nessa época, mas isso também ajudou. Todo o barulho em torno desse CD me deixou realmente empolgado. Quando vi o clipe da faixa-título, quase surtei. Era o KISS de sempre. Gene todo foda, Paul cantando pra caralho, Ace e Peter de volta. (Detalhe: sempre imitei – e ainda imito - o Gene virando os olhos, mostrando a língua, a postura de ogro malvado sacana no palco... Não tem nada a ver, mas quis falar, porra! Já disse: blog é meu, o texto é meu... HUNF!)

E o mais foda nisso: naquele mesmo ano, soube que os caras viriam pra o Brasil no ano seguinte. Imagine um moleque punheteiro de 16 anos surtado por meses? Pois é! Em 17 de abril de 1999 eu fui sozinho ver meus ídolos de infância, ídolos de uma vida. Vendi minha guitarra, meu amplificador – e venderia até a mãe -, colecionei recortes de jornais... Me lembro até hoje da sensação: a música incidental começando, as guitarras, os gritos da multidão que cobria a Curva da Laranjinha em Interlagos, o grito de “YEAAAAAAH...” do Paul Stanley ecoando, a cortina do circo caindo e mostrando o palco com aqueles quatro imortais lá em cima. Ô, puta que me pariu sentada: era o KISS, PORRA! Ainda tenho os recortes, o ingresso e os óculos 3D usados para ver a língua do Gene me lamber do telão.

Pyscho Circus marcou muito minha vida. Não adianta: KISS me faz ser adolescente de novo, caralho!


 
:: Velhas Virgens – Com a Cabeça No Lugar
E como os anos passam de pressa, já dizia o escorregador, corria o ano de 1996 e eu era um pré-adolescente carente de opções nacionais de rock de qualidade. Até que fui apresentado a um CD chamado Foi Bom Pra Você?, primeiro trabalho das Velhas Virgens. Me apaixonei, 10 anos depois tatuei essa paixão no braço e tudo terminou feliz para sempre. FIM

Não, né, porra! Tem mais coisas: em 2000 fui ao meu primeiro de dezenas de shows da banda, um ano depois conheci o Paulão pela internet, seis anos depois ele era meu padrinho de casamento... Mas nesse meio tempo, em 2003, vi o lançamento desse disco. E é marcante por um grande motivo: mostra um amadurecimento musical de uma forma bem clara e com músicas fodas e com a participação efetiva de todos. Experimentaram muita coisa no $enhor $ucesso em 1999 (e nem tudo deu certo), mandaram um álbum com marchinhas de carnaval (esse deu certo) e o primeiro Ao Vivo em 2001 e chegaram no Com A Cabeça no Lugar já calibrados.

É um CD que você tem o que as Velhas Virgens tem pra oferecer: rock, bebida, irreverência e putaria. Sempre nessa ordem e invertido no final. Apesar de muitas músicas não entrarem para o rol de clássicos da banda - tirando Se Deus Não Quisesse -, adoro Márcia e Amanda, Fernando Pessoa Blues, Um Homem Lindo (com um clipe impagável) e Pane Seca. Mas é épica a letra de Enfia Ni Mim, especialmente o refrão. Genial... simples assim.

Músicas bem elaboradas, guitarras com riffs fáceis e o vocal do Paulão melhor do que nunca. É o Andrew Strong brasileiro. Ou melhor: é o Deco. Acho que o Parker se inspirou nesse puto. Não é o melhor álbum deles, mas é o que trouxe a maturidade necessária pra agüentar o tranco até hoje. Afinal, aos 17 anos de estrada, o que mais alguém espera é sua maioridade. Nem que seja a penal.

(TO BE CONTINUED... HA HA HA HA)
Keep Reading...
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