Poucas vezes na vida temos a chance de acompanhar o crescimento de uma estrela. Não digo o nascimento, mas sim seu crescimento. Quando uma estrela nasce, pouco se sabe sobre sua dimensão e qual espaço irá preencher na constelação. O que existe é apenas uma projeção... mas que nem sempre se concretiza. Já ao vermos seu amadurecimento, é possível saber qual status irá alcançar e qual brilho irá irradiar.
E por vezes, mesmo que na aurora de sua ascensão, essa estrela consegue iluminar até mesmo os mais escondidos escombros. Escombros esses que fazemos questão de deixar escondidos... ou esquecidos!
Pois bem: eu, roqueiro e blueseiro nato (mas não xiita), acabo de ser iluminado pela luz de uma estrela em franco crescimento e ascensão: no último sábado, depois de recusar ao primeiro convite, pude ver de perto a performance da Mariana Belém em um palco.
Confesso que não me recordava de nenhuma música na voz dela. Pra mim, ela era apenas uma lesada amiga que o Twitter me trouxe numa noite de verão! Mas, com a chegada deste show o qual não pude recusar, procurei uns vídeos no YouTube e me encantei com um em específico: ela cantando Palco no Bar Brahma (acompanhe no vídeo abaixo).
Eu, que nunca tinha gostado de MPB, me peguei ouvindo essa porra acima por dias a fio... somente depois soube pela própria que esse show do vídeo foi particularmente marcante. E de uma forma ruim, mas que resultou em benefícios visíveis. Não importa, passou...
Eu poderia ficar laudas e mais laudas tecendo elogios à ela, mas o fato é que a voz da Mariana consegue emocionar até mesmo o mais duro dos ogros! Consegue penetrar a casca que guarda as emoções e nos deixa exposto ao mundo. Ao mesmo tempo, é aconchegante e instigante: nos faz querer saber e conhecer mais e mais e mais...
Ao ve-la cantando, nota-se o quão injusto é resumi-la apenas como "filha da Fafá" e "ex-participante do Fama". Ela consegue ser além dessas generalizações tão injustas que muitos fazem. Eu mesmo, em algum momento da minha vida, já devo ter feito alguma parecida com alguém que sequer conhecia.
Não sou critico musical, mas conheço música e sei separar aquilo que merece atenção mesmo quando não está sob o manto daquilo que me agrada.
É fácil notar, em apenas um show, que Mariana consegue inibir em quem a ouve as comparações inevitáveis com sua mãe. E isso se comprova ao ver ambas no mesmo palco. Brilhantes, donas de vozes potentes e com estilos diferentes ao cantar. Mariana não tenta ser uma extensão da sua mãe. Ela é a extensão da sua própria voz, apenas. Conseguir tal independência referencial é algo que muitos passam a vida tentando e nem todos alcançam.
Mariana se porta como uma verdadeira diva no palco: é, de fato, impressionante a luz que essa lesada adquire no palco. É gostoso ve-la cantar, mesmo que eu não goste do ritmo ou sequer conheça as canções. A música é algo maior do que simples gostos... é preciso senti-la, mesmo que seja através da pele!
Aprendi com Elvis que um dia não começa sem uma canção... que um dia não termina sem uma canção... Portanto, dispo-me de meu capuz de ogro, deixo de lado toda minha ironia e sarcasmo para dizer: Mariana Belém, você fez meu dia começar!
Cada constelação tem a estrela que merece...
PS: Preciso parar de babar-ovo nessa lesada... caso contrário, minha fama de mau vai pra casa do caralho e ela vai se sentir demais. Tudo bem que ela pode, mas mesmo assim... Será que ela toparia cantar um set das Velhas Virgens?

